07 Novembro 2007

A palavra SE...


Não situe os elementos de regeneração fora de você, pois eles encontram-se exclusivamente no âmago do seu ser. Tudo o que você precisa está em você, dentro de você, e a paz não depende de nada e de nenhuma circunstância externa. Tudo o que você necessita, você já possui! Basta olhar para o seu coração!
Tentamos por diversas vezes condicionar a nossa felicidade: serei feliz se... conseguirei tal coisa se... não farei mais isso se...
O único "se" que recomendo é o SEja feliz AGORA! Não dependa de nada e nem de ninguém para pensar o que deseja pensar! Sentir o que deseja sentir e, principalmente, viver o que precisa viver! SEJA feliz, e então TERÁ a paz tão procurada, sem dependência de condicionamento e sem restrições. Agindo desta maneira, somente existirá a paz tão procurada pela sua alma. E na quietude da alma, terá então o sentimento de serenidade que errôneamente achava que o condicionamento provocado pela palavra "SE" te daria. Seja feliz primeiro, para depois ter tudo o que busca, com calma, compreensão, consciência e razão!
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Anderson Boni Signori

Presente Sagrado


Um belo presente que podemos dar para nós mesmos é VIVER NO PRESENTE, com toda a intensidade que a vida nos permite. Curtir cada segundo de nossa vida como se fosse o primeiro, construindo da melhor forma possível todos os segundos futuros a partir exclusivamente do presente. Não permitir que pensamentos e situações que já passaram te atrapalhem no presente é uma dádiva a ser buscada incessantemente e cultivada por todos, para uma vida melhor e mais saudável. O pensamento fixo na vida presente torna cada momento sagrado e intenso. Cada segundo vivenciado com consciência é um presente que damos para nós mesmos. Isso é construir o futuro! Isso é viver! Tudo isso a partir do momento chamado: AGORA! Não espere e não deixe para depois! Seja feliz hoje! Torne-se uma nova pessoa a cada instante! Renove-se! Isso, exatamente isso, é sem dúvida um belo PRESENTE!
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Anderson Boni Signori

Perfeição


Na busca louca por tentar ser perfeito, cometerá o maior de todos os delitos contra você: a falta de paz consigo mesmo! Somente viva a vida da melhor maneira possível, aprendendo a cada instante. Não busque a perfeição freneticamente, de maneira alguma, pois isto não lhe trará a paz.
O primeiro passo na busca da perfeição é a paz interior, e a busca desesperada por qualquer coisa acaba de forma rápida com esse sentimento, tão necessário para o fim proposto. Apenas seja o que você é, prestando atenção na vida a sua volta e principalmente na sua própria vida. Seja o melhor para você e para as pessoas que te cercam, vivendo exclusivamente no PRESENTE e não fazendo do PASSADO um martírio. O que passou, passou! Faça do seu presente, do aqui e agora, a porta de entrada para um futuro glorioso.
Desta forma crescerá aos poucos, e a tão sonhada perfeição será posta de lado pela sua consciência esclarecida e fortalecida por este ideais, pois somente o Ser Supremo é perfeito, e nós, humildes buscadores da verdade, tornaremos pouco a pouco a nossa essência mais próxima da Energia Cósmica. Busque a harmonização, mas com calma, paciência e principalmente muita paz no coração.
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Anderson Boni Signori

08 Agosto 2007

Sem distinção

Sem distinções, somos inevitavelmente felizes! Isso é um fato! Isso é uma constatação! Estar tranqüilo consigo mesmo é uma alegria indistinguível que nenhum dinheiro no mundo pode comprar. Mas como conseguir isso? Bom, um dos inúmeros caminhos é fazer do termo “sem distinção” um fator norteador da nossa vida! Humm... agora você deve estar se perguntando: mas como assim? Não é nada difícil! Aliás, o termo “sem distinção” somente será entendido com uma avultada simplicidade da nossa parte. Sim, é isso mesmo! Devemos viver com simplicidade e, sobretudo, tornar nossa alma simples em relação a tudo e a todos. Devemos acabar com qualquer resquício de superioridade que possa ainda reinar em nosso ser. Devemos nos tornar igual a tudo e a todos, pois isso é exatamente o que nos impede de participar profundamente da vida das pessoas, do mundo, e da nossa própria vida. Geralmente nos achamos superiores, ou com algum dom que as outras pessoas nem mesmo sonharam em ter. Achamos, erroneamente, que somos “especiais”. Bem, mas isso é uma grande verdade, pois somos realmente muito especiais! Mas existe um porém: por que eu sou especial e as outras pessoas não? É justamente aí que reside o começo da virada em nossa vida! O início da transformação que devemos propor a nós mesmos para que possamos viver tranqüilos, de mente, alma e coração! Quando finalmente percebermos que TODOS SÃO IGUAIS, SEM DISTINÇÃO, então perceberemos que todos são especiais! Todos têm suas qualidades e defeitos. O que eu sei fazer muito bem, outro pode não saber. Em contrapartida, o que o outro pode fazer com excelência, eu posso até mesmo nunca ter ouvido falar. Somos todos ignorantes e conhecedores de muitas coisas ao mesmo tempo. Desta forma, tomemos consciência no devido tempo de que todos somos iguais e que participamos todos juntos de uma mesma aventura: a vida! Uma grande alegria tomará conta do nosso ser quando nos propormos a encarar, tudo que nos cerca, dessa forma. Faremos parte então de um grande mistério. Usufruiremos uma mesma verdade: a de viver, simplesmente viver e evoluir em conjunto. Ser especial é muito bom, desde que vejamos como todos a nossa volta são também especiais. Achar que somente nós somos especiais é acabar isolado do mundo. Somos os deuses e senhores de nosso mundo particular, mas não temos nada além disso. Somos rei ou rainha de um reino com apenas um súdito: nós mesmos! Vivendo numa ilusão particular, certamente não iremos muito longe! Por isso fica o apelo: não façamos mais distinção alguma, para desta forma viver uma tranqüilidade feliz e, ao mesmo tempo, uma feliz tranqüilidade. Fazendo isso acabaremos com toda a carga pesada que vínhamos transportando em nosso interior, pois não precisaremos mais lutar com o nosso próprio ser e com os demais seres que nos cercam, numa disputa tola e infrutífera. Ao invés de lutar, é muito melhor compartilhar e viver em conjunto com toda a natureza grandiosa que nos abraça. Não fazer distinção faz com que nossa vida mude completamente e nossa mente se libere para pensamentos mais elevados e proveitosos, pois iremos encarar tudo como uma coisa só. Não estaremos competindo e, desta forma, não sairemos cansados do combate. Guardemos nossa força para os combates que realmente valem a pena na vida, e não desperdicemos essa força com coisas e assuntos estéreis. Seremos fortes e íntegros se baixarmos a guarda e permitirmos que a vida tome parte do nosso ser. Olharemos e perceberemos tudo a nossa volta como uma extensão de nós mesmos, e assim seguiremos nosso caminho tranqüilos e com paz na consciência.
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Anderson Boni Signori

29 Janeiro 2007

Esperamos...

Esperamos pela felicidade, ou por algo que nunca chega. Esperamos por coisas que não sabemos o que são. Esperamos e esperamos, sempre! Toda a nossa vida passamos esperando uma oportunidade, um momento especial, uma pessoa adequada, um emprego, uma chance! Mas, será que esperar tanto assim nos ajuda em algo? Será que esperar não significa colocar nossa vida nas mãos de algo ou alguém? Achamos na maioria das vezes que as coisas cairão em nosso colo, não nos dando conta de que somos os únicos responsáveis pela nossa vida. Deixar a vida, nosso bem mais precioso, a cargo do destino é o mesmo que abrir mão dela! Pensemos nisso por um instante! Será que somos felizes enquanto esperamos a felicidade ou será que somos felizes enquanto buscamos a felicidade? Que possamos sempre refletir nisso! Que possamos sempre ver que o nosso destino somente a nós pertence! Saber disso já é um grande passo para encontrar a tão sonhada felicidade. Saber disso certamente fará de nossa vida um pouco mais difícil por entendermos que somos os únicos responsáveis por tudo de bom ou ruim que nos acontece ou possa nos acontecer. Por entendermos que de nossos esforços contínuos e de nossa perseverança depende uma vida feliz e proveitosa. Para isso é necessário que tenhamos uma vontade firme, propósitos elevados e muita força para realizar tarefas que muitas vezes imaginávamos não sermos capazes. Mas certamente esses esforços extras farão de nossa vida algo incrível. Algo que valerá a pena, pois ser o diretor de nossa existência nos tornará livres. Livres, inclusive, para encontrarmos a felicidade agora mesmo, em lugares que nunca antes havíamos imaginado. Portanto, pare de esperar! Siga o seu coração, sua intuição, sua vontade, e faça sua vida! Com muito esforço, é claro, mas certamente valerá a pena! Construa-a da forma que achar melhor, e de uma forma que não precise esperar por nada, pois poderá realizar tudo o que desejar agora mesmo. Basta querer e, principalmente, perseguir incansavelmente o que você deseja. Seja feliz agora, e não depois, pois depois poderá ser tarde demais!
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Anderson Boni Signori

05 Janeiro 2007

Aeroporto

Jairo colocou a última muda de roupa na mala. Todos os sentimentos possíveis teimavam em entrar e sair do seu coração. Porém, ele estava decidido! Viajaria a qualquer custo! Olhou para o relógio na parede e fechou apressadamente a última de suas duas malas sem ao menos conferir se estava tudo dentro. Estava feliz, mas ao mesmo tempo perdido em seus pensamentos. Seu futuro apontava para um lugar que não conhecia, mas que desejava muito conhecer. Não sabia o que lhe esperava, mas desejava prosseguir em seus intentos. Agarrou suas duas malas, uma em cada mão, com muito custo por causa do peso, e parou por alguns instantes antes de fechar definitivamente o apartamento. Durante uns cinco minutos, e mesmo sabendo que estava atrasado para o seu vôo, não pôde tirar os olhos daquelas paredes. Todos os cantos eram alcançados por seus olhos marejados que lembravam dos belos momentos que viveu entre aquelas paredes. Mas, para sua dor e maior confusão, os pensamentos mais fortes que invadiam sua mente eram os que diziam respeito aos momentos vividos juntamente com seu grande amor.
– Ha... Sophia! – Pensava Jairo, enquanto algumas lágrimas escorriam pelos seus olhos fixos ainda no pequeno quarto – Não deveria deixá-la, mas preciso buscar meu futuro num lugar melhor.
Este era o único pensamento que lhe prendia ainda ao Brasil. Não queria mais ficar aqui. Precisava de uma nova vida, de um novo lugar, de novas paisagens e de melhores oportunidades. Sempre foi incentivado por seus pais a procurar um lugar melhor para viver, pois aprendeu que aqui não chegaria muito longe. Deveria buscar oportunidades que sua família, de baixa renda e pouca instrução, não conseguiu lhe proporcionar. Mas, agora, depois de juntar dinheiro por alguns anos, finalmente chegara a hora. Só não contava em se apaixonar tanto assim. Enquanto trabalhava em sua cidade para pagar o aluguel e juntar algum dinheiro para a realização de seu sonho, conheceu Sophia. Isto não estava nos seus planos, porém, aconteceu! Ele foi se apaixonando cada vez mais e mais e, aos poucos, se entregou completamente a esse amor arrebatador. Tudo isso passava em sua cabeça durante os poucos minutos em que dava adeus ao seu antigo apartamento. Com um balançar de cabeça, tentou como que afastar estes pensamentos. Pegou a chave e trancou a porta apressadamente, pois precisava pegar o avião. Chegando na porta do seu prédio, após descer as escadas, pediu ao porteiro que lhe ajudasse a carregar as malas e enquanto isso chamou um táxi. Acomodaram as bagagens no porta-malas e partiram para o aeroporto. Durante o caminho, toda a sua vida no Brasil lhe passava pela cabeça. Eram momentos felizes, e outros nem tanto. Sua vida agora mudaria, essa era a sua convicção. Estava tudo acertado: o local onde se hospedaria e onde trabalharia temporariamente, e um curso que talvez iniciasse durante o verão, pois também estudaria para aprender a falar o idioma local rapidamente e poder barganhar um bom emprego, que pagasse melhor e onde pudesse progredir. Tudo estava planejado, mas havia algo que lhe faltava: Sophia não estaria ao seu lado!
- Eu disse para ela ir comigo, mas a teimosa não quis! – pensou em voz alta.
O taxista chegou a olhar para trás e perguntar se tinha falado com ele, mas Jairo disse logo que estava falando com seus botões. O motorista aproveitou a oportunidade e tentou puxar alguma conversa, mas Jairo não demorou para despistá-lo, pois queria permanecer só, com seus pensamentos.
- Bem que ela poderia mudar de idéia! – pensou novamente – Será que conseguiria convencê-la? – Mas agora já era tarde! – disse para si mesmo, num tom forte e decidido – Tentei de todas as maneiras convencê-la, mas ela disse que preferia ficar aqui. Toda a sua vida estava aqui e não precisava ir pra outro lugar.
Jairo, ao ser arrebatado por estes pensamentos, sacudiu novamente a cabeça como anteriormente, tentando mudar o rumo dos seus pensamentos e se concentrar novamente em sua viagem. Aos poucos foi ganhando confiança e convencendo a si mesmo de que estava tomando a atitude certa. Finalmente chegaram ao aeroporto. Não contava que chegariam tão cedo, pois o trânsito estava muito calmo, fora do normal para aquele horário. Descarregaram as malas do carro e Jairo partiu para o “check-in” no balcão. Logo após despachar as malas e cumprir com as burocracias, resolveu sentar-se em uma poltrona confortável no saguão do aeroporto, pois fora informado de que seu vôo atrasaria talvez uma hora. Reclamando, pois estava ansioso para partir para sua nova aventura, reclinou sua cadeira e fechou calmamente os olhos. Pensou em seu destino e exclamou com voz satisfeita:
- Adeus Brasil!
- Então você está nos abandonando? – Falou uma voz suave e ao mesmo tempo grave, ao seu lado.
Sem entender bem de quem se tratava, Jairo retornou sua poltrona à posição vertical e olhou bruscamente para o lado.
- Você vai nos deixar? – perguntou novamente a voz.
Jairo identificou um senhor de cabelos grisalhos, alto e bem vestido, sentado ao seu lado. Sinceramente não lembrava de ter visto ninguém na poltrona ao lado enquanto se acomodava. Depois de ajeitar-se na cadeira, olhou para o senhor que lhe questionava e perguntou:
- Quem é o senhor? E por que diz que vou abandoná-los?
- Bem, acho que a pergunta certa não é quem sou eu, mas sim quem é você? – retrucou o velho, olhando fixamente nos olhos de Jairo.
- Ora, sou apenas alguém prestes a embarcar num sonho antigo! Planejo isso a muito tempo e, respondendo sua pergunta, sou um cara feliz por ter conseguido atingir um dos meus objetivos. Vou deixar o Brasil em busca de um lugar melhor!
O velho olhava atentamente para as expressões curiosas de Jairo enquanto falava, as quais demonstravam um misto de ansiedade, medo e alegria. Jairo continuou:
- E... além do mais, por que quer saber?
- Hum, interessante – respondeu o velho – Entendi o que está fazendo!
- Como assim? Entendeu o quê? Eu é que não estou entendendo o senhor. Sinceramente não sei o que deseja comigo. Como entendeu algo se não lhe falei nada?
O velho deu um sorriso largo, direcionado exclusivamente para Jairo, e prosseguiu em sua fala:
- Entendi apenas que você está deixando um sonho em busca de outro! Simplesmente isso!
Jairo olhou com um olhar espantado para o velho – Será que está falando de Sophia – pensou repentinamente – Como pode ele saber algo a respeito disso?
E o velho continuou, com olhar sereno e voz suave:
- Isto apenas me é familiar! Mas esta história já tem muito tempo. Muita coisa já passou em minha vida desde que isso aconteceu. Você certamente não quer saber a respeito!
Jairo, sem nem ao menos entender o porquê, foi tomado por uma curiosidade intensa – O que poderia ter acontecido com o velho que estava prestes a acontecer com ele? Por que dava atenção a um desconhecido, em pleno saguão do aeroporto, enquanto aguardava seu vôo para Londres, rumo a uma nova vida? – Tudo isso lhe vinha à mente, despertando uma curiosidade intensa na história do velho, com quem agora nem se preocupava mais em saber quem era. Não tinha medo ou indiferença, apenas queria conversar e saber do que o estranho estava falando.
- Não! – falou alto – Por favor, me diga o que aconteceu com o senhor, por favor! Você também fez uma viagem como a minha? Conte-me, lhe peço! Por favor! O que aconteceu?
- Realmente está interessado então, como posso ver! – O velho deu uma risada e sorriu com sorriso largo, enquanto acomodava-se melhor na confortável poltrona do aeroporto, destinada a acomodar os viajantes cansados por intermináveis esperas. Em seguida, olhou fixamente para Jairo e iniciou sua história.
- Eu era jovem como você, e certamente tinha muitos sonhos, também como os seus. Não estava preocupado com o que as pessoas pensavam e somente queria me livrar de todos os problemas. Não queria saber de conselhos ou reclamações. Apenas tinha uma meta: viajar para fora do país para buscar melhores condições de vida. Tudo ao meu redor, aqui no Brasil, acontecia exatamente do jeito que eu não desejava. Tinha problemas e mais problemas. Não conseguia pagar as contas e não tinha condições nem ao menos de me divertir nos finais de semana. Simplesmente parecia que este não era o meu lugar!
Jairo deu um pulo da cadeira, fitando o velho com os olhos brilhando e muito interessado. Não conteve-se e falou:
- Nossa! Essa é a minha história! Também penso que este não é o meu lugar. Por isso quero viajar, para encontrar um lugar melhor. Você tinha razão. Sua historia é muito parecida com a minha.
- Calma – falou o velho – ainda não acabei de contar! Posso continuar?
- Sim – respondeu Jairo, aquietando-se na poltrona – é que não pude conter-me. Adoro histórias, ainda mais as que são parecidas com a minha vida.
O velho acompanhou com olhos fixos a empolgação do rapaz. Aguardou até que se aquietasse novamente e prosseguiu:
- Bem, como eu havia falado, este parecida realmente não ser o meu lugar. Queria algo melhor para mim. Meu trabalho não me satisfazia, não tinha certeza de que estava estudando o que realmente gostava e minha família não me entendia. Aborrecia-me facilmente com qualquer situação. E cada vez mais e mais entendia que este realmente não era o meu lugar. A noite, antes de dormir, sonhava com os países de primeiro mundo. Com a cabeça sobre o travesseiro e esticado completamente na cama, sonhava horas e horas com um futuro melhor. Sonhava com um lugar onde as pessoas me entendessem e não me criticassem. Sonhava com um lugar onde eu pudesse estudar as coisas que gostava e onde pudesse trabalhar facilmente, sem problemas com colegas de trabalhos ou patrões. Minha imaginação dava pulos de alegrias ao visualizar tudo isso na minha tela mental. Sem contar as belas paisagens que veria num dos belos países do mundo. Foi então que me decidi! Eu viajaria para bem longe. Estaria livre de tudo e de todos. Foi quando comecei a guardar dinheiro, sem falar do meu plano para ninguém, nem mesmo para os meus familiares. Ninguém desconfiava! Passaram-se dois anos até que eu pudesse juntar recursos suficientes para embarcar neste sonho. Somente contei para minha família, a respeito da minha decisão de viajar para outro país, dois meses antes do embarque. Todos relutaram, mas nada puderem fazer. Falaram que eu faria falta. Pediram para que eu não fosse, pois todos sentiriam saudades. Alertaram que meu lugar era aqui. Mas de nada adiantou. Estava decidido. E então providenciei tudo! Chegado o dia, todos me acompanharam ao aeroporto. A despedida foi dolorosa, para todos nós! Eu nem ao menos pensei que doeria tanto em mim aqueles momentos de caminhada entre minha família e o avião. Enfim, estava acomodado na "máquina que me conduziria até o meu sonho”, que decolou sem ao menos dar tempo de olhar para trás. Quando vi já estava em outro país! Tive dificuldades no início, mas em alguns meses já estava trabalhando e ganhando o suficiente para sobreviver. Aluguei um pequeno quarto numa pensão. Conheci belos lugares e pessoas diferentes. Vivenciei uma cultura interessante! Mas...
- Mas? – interrompeu Jairo – Como assim mas? Isso é o que eu quero? O que aconteceu?
O velho limitou-se a fitá-lo com paciência e prosseguiu com seu relato.
- Mas aconteceu que eu me vi envolvido nos mesmos problemas! E o pior é que, além de tudo isso, ainda sentia imensa saudade de meus familiares e amigos que havia deixado no Brasil. Então comecei a pensar se realmente havia feito a coisa certa! Me desesperei, e facilmente me via chorando pelos cantos do quarto, nas noites solitárias e angustiantes. Lembrava dos meus sonhos antes de dormir, onde podia ver momentos felizes e uma vida diferente, mas isso não aconteceu. Os momentos bons foram os iniciais, mas agora tudo voltava ao normal. Eu estava “caindo na real”. Até que um dia despertei sobressaltado na madrugada. Foi então que descobri. Entendi que tudo não passava de uma ilusão!
- Ilusão? – interrompeu novamente Jairo – O que quer dizer com isso? Não é porque você não se deu bem que outros terão que passar pela mesma situação – disse num tom revoltado.
- Não foi isso que eu quis dizer! Mas deixe-me terminar minha historia, e então finalmente entenderá! O velho arrumou seus óculos que escorregavam pelo nariz e então continuou:
- A partir daquele momento descobri algo de muito interessante. Algo que mudou minha vida! Naquela mesma noite, logo depois que voltei a dormir, tive um sonho. Neste sonho eu via muitas coisas e pessoas ao meu redor. Muitas situações diferentes que vivi e enfrentei ao longo da minha vida. Tudo estava ao meu redor, mas eu as enxergava como se estivessem fora de mim. Mesmo tendo vivenciado estas tristezas e alegrias em minha vida, as via agora como se não fizessem parte do meu ser. Foi então que entendi que nosso sucesso não depende do lugar onde estamos. Nosso triunfo não depende de nada e nem de ninguém, a não ser de nós mesmos! Percebi que eu não precisava mudar de país para ser feliz. Então, nesse momento, vi que realmente se tratava de uma ilusão. Entendi que eu poderia sim, viajar, conhecer novas culturas, aprender e conhecer, mas, não deveria fazer isso para me livrar dos problemas. Não precisava mudar de país, fugindo, ao invés de enfrentar a vida de peito aberto e lutar pelos meus sonhos. Descobri que não devemos buscar um lugar perfeito para realizar estes sonhos, e que estes mesmos sonhos somente podem ser realizados quando realmente nos empenhamos nisso, independentemente do lugar onde nos encontramos. É um erro comum da humanidade procurar um lugar e um tempo certo para encontrar a felicidade. Acabei entendendo, de um modo árduo, que a felicidade não possui relógio. Você simplesmente precisa correr atrás dela e agarrá-la pelo braço para que ela te dê atenção. Você não pode marcar uma hora para vê-la. Percebendo esta verdade que estava o tempo todo diante dos meus olhos, resolvi ficar mais algum tempo, o suficiente para juntar algum dinheiro e voltar para o Brasil. Quando finalmente pude voltar e rever meus amigos, parentes e os belos locais do nosso país, percebi a grandeza deste lugar e, mais ainda, percebi que era feliz antes, e nem ao menos havia me dado conta disso, pois não enxergava devido a minha ilusão de achar que a “felicidade sempre está em outro lugar”. Aprendi, e então passei a viver intensamente. Sempre tive e terei dificuldades, mas elas fazem parte da vida e certamente nos fortalecem muito quando encaradas com espírito de aventura. Progredi na vida, devido aos meus esforços, e hoje tenho uma linda esposa e belos filhos. Estou aqui hoje somente para uma viagem de negócios. E, onde quer que eu vá, levarei a felicidade comigo. Se não conseguir levá-la na mala, não haverá lugar no mundo que me faça feliz.
O velho encerrou seu discurso, enquanto Jairo o fitava admirado, sem ao menos encontrar palavras para expressar o que sentia. Ele havia compreendido a sublime lição! Somente levantou-se, abraçou fortemente o velho, que continuava a sorrir intensamente, e exclamou olhando para a porta do aeroporto:
- Sophia... estou indo, meu amor!
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Anderson Boni Signori

04 Janeiro 2007

A bruxa do parque

Era uma bela tarde de sábado. O sol estava brilhando mais do que nunca. Os pássaros cantavam e as pessoas estavam alegres passeando pelo parque. Um típico dia de verão, onde todos saiam de suas casas para aproveitar a beleza da natureza e contemplar o esplendor da vida. Eu era uma destas pessoas, admirando aquele parque tão arborizado, passeando e respirando o ar tranqüilo e calmo, aproveitando as delícias de um dia de descanso. Alguns passeavam com os filhos, outros aproveitavam para levar o cachorro dar uma volta. Via-se logo adiante algumas pessoas fazendo exercício, e muitos aproveitavam para praticar algum tipo de esporte. Isto tudo formava uma atmosfera agradável e saudável. Todos estavam alegres, e isto era fácil de ser percebido no ar. Aquele parque era conhecido e freqüentado pela maioria dos moradores do bairro. Praticamente todos ali se conheciam, pois sendo o único parque de uma cidade pequena, não havia outro lugar para curtir um tranqüilo final de tarde. Eu havia me mudado há pouco tempo, e não tinha ainda muitos contatos na cidade. Mas percebia o clima de amizade que reinava entre todos os habitantes. Todos pareciam conhecer-se há muito tempo.
Aproveitando a sombra de uma antiga árvore, a principal do parque, situada bem no meio da praça e rodeada de bancos de madeira artesanalmente confeccionados, sentei-me para observar o movimento agitado daquele final de tarde. Pouco tempo depois, após contemplar por alguns instantes a paisagem, e prestando mais atenção em um outro banco, colocado estrategicamente embaixo da sombra de uma outra grande árvore situada no parque, mas não tão grande quanto a que eu estava, pude perceber uma pessoa que não parecia estar no clima daquele dia alegre. Era um dia que convidava para o prazer da vida, mas no entanto, aquela pessoa parecida estar triste, com o olhar perdido e distante. No princípio tentei continuar contemplando a vista que se despontava a minha frente, mas logo estava novamente com a atenção voltada para aquela triste senhora, aparentemente com uns 60 anos de idade, sozinha num banco de praça, talvez por não ter ninguém com quem conversar. Pensei em me aproximar, mas hesitei por um instante. Pensei que talvez incomodaria ou até mesmo poderia ser inconveniente. Quando pensei nisto, imediatamente percebi que aquela senhora estava olhando diretamente para o local onde eu estava. Inicialmente pensei que talvez ela poderia estar olhando para uma outra pessoa, mas logo percebi que estava sentado sozinho sob a sombra da gigantesca árvore que me abrigava. Enquanto eu divagava, ela levantou-se e caminhou vagarosamente em minha direção. Pelo fato de estarmos em assentos que eram separados por uma longa distância, tive um impulso de levantar-me e sair na direção oposta, por vergonha mesmo, mas algo naquele momento me segurou, como se tivesse sido atado àquele banco do parque. Alguns minutos depois, estava diante de mim uma senhora que realmente parecia ter seus 60 e poucos anos, com expressões suaves e belas, e com um sorriso tímido no rosto. Assim que parou de caminhar, e permanecendo em pé, na minha frente, em tom suave perguntou:
- Posso sentar-me ao seu lado? O senhor não se importa?
- De maneira alguma – respondi com ar de desconfiança – pode sentar-se - Fique a vontade!
Assim que se acomodou ao meu lado, perguntei-lhe quase que por impulso, mas sem querer parecer inconveniente:
- O que a senhora deseja?
Neste momento, um sorriso brilhante lhe apareceu no rosto, como que surgido do céu. Ela dirigiu seu olhar tranqüilo diretamente para o meu olhar desconfiado e disse:
- Desejo lhe mostrar a vida!
- Como assim? – perguntei sem entender nada, e surpreso ao mesmo tempo. Aquela senhora parecia triste, perdida e deslocada há alguns minutos atrás, e agora queria me mostrar algo do que parecia não entender. De fato, agora aparentava ser outra pessoa que estava sentada ao meu lado. Não parecia nem triste, e nem perdida. O olhar não era mais vago, mas brilhante e forte. Inspirava-me uma serenidade que não podia entender e nem descrever.
- Como deseja me mostrar a vida? – dirigi-me novamente a ela, de maneira cética.
- Olhe novamente a sua volta – disse ela calmamente, apontando para as pessoas do parque.
Em um instante não pude acreditar, pois todos pareciam preocupados, com olhares nada agradáveis. Nem mesmo disfarçavam! Todos estavam olhando para nós dois e tecendo comentários - possivelmente nada de bom - uns com os outros.
- Você vê todas essas pessoas? – perguntou sem nem mesmo desviar o olhar do parque, onde contemplava os cidadãos que pareciam ter esquecido a bela tarde de sábado.
- Sabe porque estão olhando para nós?
- Não! – respondi, já sem entender mais nada.
- Estão com medo! Na realidade, todos estão preocupados com você.
- Comigo! Por que comigo? – perguntei assustado.
- Por minha causa, obviamente! Porque sou uma “bruxa”!
- Bruxa? Como assim bruxa?
Fiquei por alguns minutos estático, olhando para a velha senhora de expressões suaves e ao mesmo tempo para as pessoas que me encaravam com olhar preocupado e, mais notoriamente, com um típico olhar de desconfiança. A velha continuou:
- Exatamente. Sou uma bruxa! E toda a cidade tem medo de algo que nem ao menos conhecem. Por isso vivo na solidão e sou evitada por todos. Somente posso conversar com aqueles que permitem. Mas isso não acontece muito freqüentemente. As pessoas têm medo do que não conhecem, e isso é uma pena.
Dirigindo-me novamente o olhar, falou suavemente:
- Eu teria muito para ensinar, e ainda muito mais para aprender com todas elas. Mas infelizmente estão fechadas. Parecem alegres, mas se afastaram da vida.
- Não entendo onde quer chegar! – disse eu num tom meio amargo, do qual logo me arrependi.
- Bem, vou lhe explicar direitinho então! Você está preparado para tentar compreender algo que pode acabar mudando a sua vida?
Quando pensei em responder que sim, pronto para encarar o que a estranha velhinha que se dizia uma bruxa tinha para me mostrar, tive meu pensamento subitamente voltado para outro lugar. Senti uma vertigem e ouvi a voz da minha mulher me chamando, ainda um pouco braba com o episódio acontecido no dia anterior. Acordei em meu quarto, meio zonzo e perturbado, não entendendo bem o que havia acontecido.
- Acorde amor, acorde! Tem alguém batendo em nossa porta, vá ver quem é – disse num tom amigável, mas ainda carregado de decepção. Talvez ainda lhe restava alguma mágoa decorrente da briga ocorrida entre nós, quando acabei maltratando nossa vizinha, uma velha moradora da cidade, onde acabávamos de chegar. Durante a mudança, estava estressado com a falta de zelo da transportadora e irritado com alguns acontecimentos relativos a casa, que não estava lá em boas condições, como havia imaginado. Acabei brigando com a minha mulher e, pobre da velhinha que veio em má hora nos dar as boas vindas. Acabei sendo rude com ela, e minha mulher ficou extremamente decepcionada comigo, com toda a razão. Fui dormir muito irritado e desnorteado. Mas, de alguma forma, acordei calmo, não entendo bem o porquê.
Pensava ainda no estranho sonho que acabara de ter, enquanto me dirigia à porta para ver quem poderia ser naquela hora da manhã. Repentinamente, parei estático em meio a sala quando olhei pela janela de vidro da porta da nossa casa. Era a velhinha da noite anterior, segurando um pote, a encarar-me com um sorriso lindo! Não demorei muito para perceber a semelhança do seu sorriso com a velhinha que sorria para mim no sonho. Na verdade, o sorriso era igual, e pude perceber que a velhinha que agora batia na minha porta tinha as mesmas feições da velhinha do sonho, que se dizia uma bruxa. No sonho ela dizia que me mostraria algo, e com o seu sorriso, parada diante da porta, nem precisou dizer nada. Percebi nela a doçura da vida! Mesmo havendo maltratado aquela pobre senhora, ela de forma alguma guardou rancor ou qualquer inimizade. Soube perdoar e agora estava novamente tentando se aproximar, me oferecendo o seu carinho. Grande lição ela me ensinava com este pequeno gesto. Fui ao encontro dela, abri a porta e ela sorriu mais ainda pra mim. Sorri de volta, enquanto ela oferecia um pedaço de bulo-de-fubá, que certamente havia feito com muito carinho para seus novos vizinhos. Peguei um pedaço, sem falar nada, e enquanto saboreava aquele delicioso pedaço de bolo, com sabor de amor, minha mulher me olhava na porta do quarto, com um sorriso largo e feliz. Ela sabia que eu havia entendido algo que a vida vinha tentando me ensinar. Algo que precisava entender, e algo que certamente mudaria para melhorar o meu relacionamento com as pessoas a minha volta e também a minha visão do mundo. Aquele bolo tinha sabor de compreensão, amizade, perdão, paciência e serenidade, ensinando-me também que nenhuma situação ou condição nos dá o direito de maltratar qualquer um de nossos semelhantes, sejam pessoas, animais ou plantas. Tudo o que eu deveria aprender e tentar conquistar para melhorar o meu caráter, enxergando a partir de agora além das aparências enganosas.
Enquanto mastigava o bolo, olhava para os olhos da velhinha, que me fitava com muita alegria. Ela certamente entendeu, quando disse a ela em pensamento:
- Obrigado, minha jovem bruxa, por mostrar-me a vida, como havia prometido.
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Anderson Boni Signori

01 Dezembro 2006

A Lição da Borboleta

Olhando uma borboleta voar, com suas asas coloridas, indo e vindo, pousando em diversos lugares e brincando com outras borboletas, todas lindas e vibrantes, ficamos sempre admirados com tamanha beleza. Paramos, contemplamos e seguimos viajem. Mas poucos sabem que a vida de uma borboleta é extremamente curta. Elas vivem, em média, duas semanas. Sabendo disso, da próxima vez que observarmos uma ou mais borboletas brincando em nosso jardim ou num campo florido, vamos parar e pensar um pouco: qual o motivo de tamanha vibração e felicidade de uma borboleta? Como pode ela aproveitar tanto a vida? Será que ela sabe que irá morrer dentro de alguns dias? Bem, talvez nunca saibamos se ela sabe ou não do seu curto tempo nesta vida, mas uma coisa nós podemos supor. Para nós, que observamos do lado de fora, e fora do mundo particular da borboleta, o seu tempo pode ser muito curto. Mas não para elas! Elas, exatamente por viverem intensamente, vivem centenas de anos no seu tempo. Pois, um minuto para elas, equivale a muitos anos dos nossos. Levando isso em consideração, pensamos: quantas vezes ficamos parados, estáticos, tristes e mudos, e deixamos de aproveitar o que de melhor a vida nos oferece? São nesses momentos, em que tudo parece a mesma coisa, nesta monotonia, que acabamos envelhecendo. Do contrário, quando estamos felizes e compartilhamos esta alegria com outras pessoas, acabamos rejuvenescendo muitos anos, e podemos viver uma eternidade em poucos minutos de felicidade. Nestes minutos de alegria, lembremos sempre da lição da borboleta, que não se preocupa com nada além de viver e ser feliz, aproveitando ao máximo o curto período de tempo que lhe é proporcionado pela vida. E é isto que lhe dá a eternidade em um minuto de existência. É esta alegria que lhe permite viver em dias o que muitas vezes não vivemos em cem anos. Seja alegre e viva como as borboletas. Desta forma terá conquistado a eterna felicidade, e o tempo não mais importará!
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Anderson Boni Signori

28 Novembro 2006

Terror no acampamento

No silêncio da madrugada, quatro jovens amigos procuravam acomodar-se na pequena barraca que dividiam durante as noites no acampamento Três Figueiras, num vilarejo mais ao norte de Santa Catarina. Este vilarejo era localizado muito próximo a praia, onde os quatro rapazes costumavam pegar ondas. Naquele dia, os quatro decidiram recolher-se mais cedo do que de costume, pois um forte vento começada a soprar e uma tempestade ameaçava varrer o acampamento. Nenhum deles imaginava o quão terrível seria a noite!
Ao terminarem de se acomodar, e já prontos para dormir, ouviram repentinamente um barulho estridente fora da barraca. Inicialmente pensaram se tratar de alguém aproximando-se, porém não avistaram a luz da lanterna. Depois de um novo ruído, mais próximo do que o primeiro, João olhou para seus colegas e falou:
- Muito estranho isso, vocês também ouviram?
Tedy, um rapaz de cabelos loiros e com os olhos já arregalados por causa do medo, murmurou baixinho:
- Ouvi, mas gostaria de não ter ouvido! O que será que foi? - perguntou quase sem voz aos companheiros.
- Não sei, mas alguém tem que verificar - falou com bravura Jerry.
- No momento em que Silvio, o único rapaz que havia ficado em silêncio até o momento, resolveu levantar-se e dirigir-se ao exterior da barraca para verificar o que estava acontecendo, apoiando-se no chão com uma das mãos e com a outra retirando as cobertas que estavam sobre ele, ouviu-se um novo barulho, desta vez mais próximo e mais estridente do que os dois anteriores. Os quatro olharam-se rapidamente, e enquanto seus rostos manifestavam o suspense que pairava no ar, o barulho aumentou e se aproximou rapidamente. Tedy gritou, sem controle! Jerry pegou a lanterna e tentou abrir rapidamente o fecho da barraca, mas já era tarde. O que eles avistaram como sendo um esquilo já estava dentro da barraca, e pior, agarrado na única comida que havia sobrado depois do proveitoso final de semana de atividades intensas passadas no camping. Os quatro olharam-se aliviados por não ser nada de mais, ao mesmo tempo em que agarraram-se no esquilo para tentar salvar um pouco da comida que ele estava devorando rapidamente. Silvio, que demonstrava ser o mais valente dos quatro, agarrou-se ferozmente no esquilo e Tedy focou a lanterna no pequeno animal, quando imediatamente João gritou alto:
- Gambaaaaaaaaaaaaa! Não é um esquilo, é um gambá! Corram! - E todos saíram correndo em disparada, não sobrando comida ou até mesmo barraca, a qual ficou pendurada na cabeça de Jerry, que gritava como um louco pelo acampamento com a lona enfiada na cabeça. Muitos acharam que ele era um fantasma, correndo em meio aquela noite atípica no acampamento, e várias pessoas até mesmo atiraram alguns tocos de lenha tentando acertá-lo. Mas a única coisa que não se mexeu naquele acampamento, naquela noite fria e tenebrosa, foi o gambá, que continuava a deliciar-se com os restos de comida dos quatro loucos que corriam sem parar pelo pacato, ou ex-pacato, acampamento de verão.
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Anderson Boni Signori

21 Novembro 2006

O papel do professor e as dificuldades encontradas em sala de aula

Antes de tudo, devemos dizer que ensinar realmente trata-se de uma arte, mesmo que muitos não concordem com esta afirmativa. O motivo para tal designação decorre do fato de que o professor deve, para obter êxito em sua tarefa, possuir metodologias, aptidões e muita força de vontade ao tentar ensinar os alunos. Muitos professores têm algumas dessas características, mas não todas. Os professores ideais são raros! Mas, na minha opinião, existe um fator principal do qual depende todo o resto. Este fator pode resumir-se em “desejar o aprendizado do aluno”. Um professor que deseja o crescimento do seu aluno, como pessoa e futuro cidadão integrado à sociedade, é um verdadeiro mestre. Para que o professor possua este desejo em seu interior, obviamente que um outro sentimento faz-se necessário: a amor pela profissão. Existe uma longa distância entre um professor que dá aula por prazer e outro que dá aula por dever. Certamente os alunos percebem facilmente esta diferença. Quantos de nós lembraremos dos professores que fizeram alguma diferença em nossas vidas? Que realmente nos ensinaram algo importante? Estes professores ficam marcados em nossa memória, se não por toda a vida, pelo menos por um longo período de tempo. Porém, certamente não basta que o professor seja um apaixonado pela sua profissão. Ele também precisa “dominar o conteúdo” que deverá ensinar aos alunos e também deverá “possuir uma metodologia” para fazê-lo de modo satisfatório. O grande pedagogo Comenius, já no século XVII, com sua famosa pansofia (ensinar tudo a todos), instituía a necessidade de uma ordem no ensino. Os livros de texto surgiram através dele, e a partir daí iniciaram-se as metodologias empregadas pelos professores hoje em dia. Vale ressaltar que, naquela época, não existia um método para dar aula, e cada professor ensinava da forma que melhor lhe convinha, tornando assim a educação desparelha e irregular. Mas, voltando ao papel do professor no ensino de hoje, podemos citar mais uma questão polêmica. O professor deve “ensinar” ou “educar” os seus alunos. Muitos dizem que os pais devem educar, e os professores apenas ensinar. Porém, a realidade acaba sendo outra. No fim das contas os professores acabam também educando os seus alunos. Talvez o ideal seria procurar o equilíbrio nesta questão: uma cooperação entre pais e professores. Porém, estes são ideais aparentemente utópicos, mas possíveis de serem realizados. Acontece, na realidade, que muitas vezes o professor acaba sendo pai e mãe do seu aluno, ensinando coisas que deveria ter aprendido em casa. Esta é a realidade! Mas as diferenças entre uma escola e outra é muito grande. Possivelmente até mesmo a localidade em que se encontra uma escola interfere no tipo de aluno que a freqüenta, e conseqüentemente no tipo de aula e atitude que o professor deve adotar perante a turma para tentar atingir o seu objetivo. No meu entendimento, parece impossível atingir todos os alunos numa aula, devido a heterogeneidade da turma. Nesse sentido, o professor deve esforçar-se ao máximo para tentar atingir e levar o conhecimento ao maior número possível de alunos. Isto muitas vezes poderá decepcioná-lo, pois sabe que não conseguirá atingir a todos, como gostaria. Diante disso, podemos dizer que o papel do professor, hoje em dia, é muito mais do que ensinar os alunos. O professor, para que possa cumprir com sua tarefa, deve ser um pouco educador, conhecedor do conteúdo que tentará ensinar aos alunos, compreensivo a ponto de conhecer as suas dificuldades, consciente das deficiências no ensino e, principalmente, conhecedor de um método baseado em todas as dificuldades já expostas anteriormente, para que possa levar o conhecimento e ver o resultado do seu trabalho absorvido pela maioria possível de alunos. O professor deve ser flexível, buscar alternativas e usar muito a criatividade. Paciência e dedicação também são muito importantes na execução de sua tarefa. E, finalizando, o professor deve ter muita consciência de sua responsabilidade, pois ser professor não é um trabalho como outro qualquer, uma vez que de suas instruções e intenções depende talvez o futuro de muitos alunos, que poderão também vir a ser os futuros professores. E por isso deve ter muito cuidado, pois um professor geralmente “ensina da maneira que aprendeu”.
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Anderson Boni Signori

16 Novembro 2006

Mar de felicidade

Um mar de felicidade existe em tudo que nos certa. Quando nascemos, colocamos nossa roupa de mergulho e pulamos nesse mar. Mas esta roupa é impermeável e o equipamento que carregamos é pesado. Mesmo estando mergulhados nesse mar, ao mesmo tempo estamos isolados dele. Tão próximo e ao mesmo tempo tão distante! Como pode? Quando vamos jogar fora essa roupa de borracha que nos isola desta água que nos faria tão bem? Quando iremos sentir as ondas suaves e deliciosas desse mar, batendo em nosso peito e nos enchendo de energia? Tudo depende de nós! A roupa de borracha está ao alcance de nossas mãos. Só o que temos a fazer é arrancá-la. Com um grande esforço e com muita vontade isso é perfeitamente possível. Todos somos mergulhadores. Mas temos medo de tirar a roupa de borracha e o equipamento de mergulho. Achamos que não iremos conseguir respirar no fundo desse mar de felicidade. Mas estamos errados! E as vezes descobrimos isso quando já é tarde demais. Façamos o seguinte... VAMOS CORRER O RISCO! Tirar essa roupa de mergulho que aperta o nosso peito e nos sufoca. Mesmo que seja para sentir o calor da felicidade, que é a água da vida, somente por alguns instantes. Talvez nesses poucos segundos possamos viver tudo e muito mais do que vivemos em todos os anos mergulhados em um líquido que não podíamos sentir. E nesse instante descobrimos que tudo valeu a pena! E caso tenhamos que partir, então partiremos felizes.
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Anderson Boni Signori

14 Novembro 2006

Rotina

Acredito que a vida seja muito mais do que apenas ir para o trabalho todos os dias, na mesma hora e no mesmo lugar. Passar pelos mesmos procedimentos e enfrentar os mesmos problemas e situações rotineiras. Falar com as mesmas pessoas, as quais conhecemos há anos e anos, muito tempo mesmo, mas onde a conversa nunca vai além de um simples bom dia, boa tarde, boa noite, está tudo bem? E as respostas, também muito rotineiras, extremamente formais e convenientes, típicas de quem não quer se envolver ou se expor: tudo bem, e você? Muitas vezes um olhar de quem diz que está “tudo bem” desmente tudo, mas nem nos atrevemos a perguntar se realmente esta pessoa está bem, com medo de ser mal interpretado, ou ainda pior, pensando na seguinte e terrível frase: “cada um com seus problemas”. São exatamente essas as questões que me deixam em dúvida. Todos nós somos programados, desde pequenos, a enxergar nossos semelhantes como nossos concorrentes. No trabalho, na escola, no dia-a-dia, estamos sempre competindo. Nunca formamos uma opinião que vai além do tão estimado zelo pessoal que, ao meu ver, não passa de um sentimento egoísta e desprovido de visão altruística e solidária. Pensamos primeiro em nós mesmos, e depois vem o resto do mundo. Procedimento estranho esse, não? Quando perceberemos a verdade? Alguns poucos conseguem, felizmente. E estes são os que andam de cabeça erguida pela rua, contemplando o horizonte a sua frente, com um belo brilho no olhar e um grande e agraciado sorriso no rosto. Estas pessoas contagiam com a felicidade e emanam as vibrações da paz. Seus olhares transportam a energia da vida e sempre doam parte desta energia para as pessoas menos favorecidas que, não percebendo o real sentido da caminhada terrena, passam todo o tempo mergulhados em seus dramas e medos mundanos. Fico sempre triste ao lembrar que a maioria de nós passa o tempo todo sem saber e nem se dar conta de que a vida é muito mais do que imaginamos ser. Ela vai além das rotinas diárias e das cascas que formamos para nos isolar do resto do mundo e das pessoas, talvez simplesmente por medo de um envolvimento mais profundo e do conseqüente sofrimento que muitas vezes isso pode gerar. Mas se eu pudesse dizer algo no ouvido dessas pessoas, diria exatamente o seguinte: corra o risco! Viva e deixe viver! Seja feliz agora e não espere o depois! Olhar o lado positivo é a essência de viver. As reações seriam as mais variadas. Talvez alguns gritariam e me chamariam de louco. Outros poderiam até me bater e depois dizer: Está fora do juízo normal? Quem é você para me dar conselhos? Da minha vida cuido eu! Ficaria triste no começo, mas logo me lembraria de que estou fazendo a minha parte, e continuaria a caminhada pela vida, alegre e contente por fazer parte de tão maravilhosa escola, a escola da vida!
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Anderson Boni Signori

10 Novembro 2006

A proteção do amor

Duas vezes mais forte do que qualquer coisa forte que anima o mundo! Três vezes mais viva do que qualquer vida que luta pela existência! Quatro vezes mais serena do que a própria serenidade! Cinco vezes mais lúcida do que qualquer lucidez que possa surgir através do equilíbrio! Seis vezes mais harmoniosa do que a harmonia das esferas, e... sete vezes mais virtuosa do que a própria virtude, que encontra sua força na paz e na luz que de tudo emana e que tudo cerca!!! Mil beijos que te protegem, dois mil beijos que te elevam, três mil beijos que te amam! Fique na paz... fique na luz!
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Anderson Boni Signori

Brilho do olhar

Quando o mais belo olhar brilhar
Quando todo o Universo te mostrar
E a luz do luar em teu coração pulsar
Um gesto teu irá me lembrar
De que nada na vida vai me fazer voltar
Para o dia em que algo veio nos separar
E um alegre despertar
Nesse dia em que tudo volta ao lugar
Por tanto tempo eu a esperar
Novamente tenho a alegria a me embalar
E a me carregar no colo, como uma criança a sonhar
Descobrindo com seu doce imaginar
Que a vida é um incrível caminhar
Rumo ao sentimento de amar!
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Anderson Boni Signori

09 Novembro 2006

Luz do amor

Mesmo que os anjos ferissem meus olhos, ainda assim poderia enxergar tamanha beleza resplandecendo diante de mim, como um farol a guiar-me pela escuridão da vida, e na solidão e angústia de uma noite sem seu amor.
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Anderson Boni Signori

08 Novembro 2006

As portas da vida

Eis que as portas estão abertas. Abertas para um novo futuro. Tudo depende de um momento, e este momento chega quando nada se espera mais. Uma tarde silenciosa, na beira do mar, durante o pôr-do-sol que traz a suavidade da brisa marítima a tocar nossa face, mostrando as belezas da vida. A vida adquiri neste momento um sentido mágico. Tudo que nos rodeia passa a fazer parte da nossa alma, e ela cresce como se abarcasse o infinito. O Universo inteiro pode pulsar em nossas veias. O coração bate no ritmo da vida, e toda a compreensão chega ao nosso ser. Nossa mente sabe, e nosso coração sente. Então a vida não foge mais de você, pois você não foge mais da vida. Tudo é uma coisa só e o vento pode facilmente trazer a paz mais longínqua para nos fazer feliz. Basta aceitarmos a felicidade, que deseja a todo o instante atuar da melhor maneira em nossa existência. Aprenda deixar a vida fluir. Siga seu fluxo, e prepare-se para entrar de cabeça nela, mas só depois que você deixar ela fazer parte de você. Então, finalmente terá aprendido o que as estrelas sempre quiseram te dizer. Fará com que a vida faça parte da sua vida! Neste instante, uma lágrima poderá rolar pelo seu rosto, e onde quer que ela seja depositada, ali nascerá a esperança, para que uma nova porta seja aberta, aberta para um futuro glorioso.
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Anderson Boni Signori

06 Novembro 2006

No entardecer do coração

O sol já estava quase tocando o horizonte e alguns prédios já encobriam a maior parte dos seus raios. O entardecer era lindo, formando matizes amarelo-alaranjadas nas poucas nuvens que vagavam por cima da cidade. Flávio, ao passar pela porta do quarto de sua irmã, a viu quieta, triste, olhando para o espetáculo do entardecer, sentada em sua cama que ficava próxima a janela. Resolveu entrar, puxou a cadeira calmamente e sentou-se ao seu lado. Ela, sem ao menos perceber sua presença, continuou olhando para as nuvens como que interrogando a natureza. Seu olhar era levemente triste e distante. Flávio aguardou mais alguns segundos, e então resolveu interromper a aparente meditação da irmã.
- Betinha, o que houve? Por que está triste?
Betinha tomou um susto quando deu-se conta de que o irmão estava sentado ao seu lado.
- Desculpe, não o vi entrar! Eu estava apenas olhando o final do dia – respondeu ela para o irmão. E, olhando fixamente para o rosto interessado de Flávio, com uma expressão de quem queria muito ajudá-la, resolveu perguntar:
– Me diga uma coisa Flávio, por que as coisas acabam? Por que nos sentimos tão sozinhos?
Flávio, percebendo que Betinha precisava mais do que apenas algumas palavras de conforto, respirou fundo como que buscando uma conexão maior com seu próprio ser. Olhou para sua irmã e disse:
- Beta, por favor, segure minha mão!
- Sua mão, por quê? – Retrucou desconfiada – O que vai fazer?
- Apenas confie em mim – falou Flávio em tom suave – Dê-me sua mão e feche os olhos. Quero lhe mostrar uma coisa.
Betinha, um pouco incerta do que o irmão pretendia, mas com muita confiança, ajeitou-se na sua cama onde estava sentada, entregou a mão para seu irmão e calmamente fechou os olhos. Estava intrigada com o que aconteceria. Somente sabia que estava triste e que talvez o irmão tentaria ajudá-la de alguma forma, como sempre fazia. Por isso mesmo não hesitou em seguir as recomendações de Flávio.
- Bem – disse Flávio, com uma voz cada vez mais calma e serena – agora faça o seguinte: imagine que você está sozinha, num lugar lindo, calmo e tranqüilo. Seus pés descalços tocam o gramado verde e reluzente a sua volta. As montanhas que te cercam estendem-se além do que sua visão pode alcançar. Tudo a sua volta é paz. Os pássaros cantam e um riacho corre ao longe com os peixes pulando como que numa dança que comemora a vida.
- Hum, tudo isso é muito lindo, mas como vai responder a minha pergunta com isso? – interrompeu Betinha.
- Não deixe de se concentrar – falou Flávio, num tom macio e ao mesmo tempo firme – Você precisa apenas visualizar o que estou lhe dizendo. Esqueça que estou aqui. Somente imagine!
- Certo, vou tentar! – concordou Betinha arrumando-se mais uma vez em sua cama, onde estava acomodada. Respirou fundo e tentou concentrar-se novamente no que o irmão estava dizendo, sem ainda entender o que ele pretendia com tudo aquilo.
- Então, – continuou Flávio – com todo este lindo cenário a sua frente, com plantas, árvores, animais e toda a natureza, você de repente se dá conta de que está sozinha. Não há ninguém com você neste lugar lindo. Você se sente solitária, triste, aborrecida, e inevitavelmente acaba perdendo a conexão com a natureza que está a sua volta. A princípio não percebe, mas deixa de sentir a grama em seus pés e deixa de enxergar a beleza que te cerca. Sente-se abandonada e até mesmo angustiada por não ter ninguém por perto. Durante o tempo em que você permanece neste estado de angústia, somente pode enxergar a sua própria dor. Seus questionamentos somente aumentam e não consegue ver nada além de você mesma. E, neste momento de maior frustração, quando achava que estava tudo perdido, sente algo diferente acontecer. Uma leve brisa toca a sua face e você desperta do abismo em que estava caindo. Ao perceber o vento soprando, sente que ele estava tentando falar com você. Ao prestar atenção neste vento suave, acaba também percebendo o balançar das árvores a sua volta e a natureza inteira surge aos seus olhos. Alguma coisa fez você descer até um lugar onde não podia ver todas estas belezas, mas agora alguma coisa estava lhe fazendo voltar para o lugar de harmonia onde se encontrava antes. Desperta e vê que nunca esteve sozinha. Toda a natureza e o Universo a sua volta falavam constantemente com você, mas não podia ouvi-los porque estava com a atenção voltada para outro lugar. Ouvindo a natureza, conseguiu entender que o vento estava tentando lhe dizer que existem outras pessoas no outro lado da montanha, a qual você nunca tentou transpor por causa do medo do desconhecido. Quando voltou sua atenção para o Universo, descobriu que lá estava o seu coração e que, olhar para o Universo, era o mesmo que olhar para dentro de si mesma, com confiança, paz, alegria e com a certeza do caminho a seguir. Viu que poderia fazer qualquer coisa, desde que não tivesse medo para trilhar os caminhos necessários para isso. Neste instante, com o coração em paz, pôde ter a certeza de que tudo é uma coisa só e que o caminho deve ser trilhado passo a passo, sem medo de ser feliz. Aprendeu que as respostas devem ser buscadas incessantemente, mas com muita calma e perseverança, pois tudo tem o seu tempo. Então, finalmente, percebeu que não existe motivo para ficar triste ou sentir-se abandonada, pois, se você é parte do Universo, e se o Universo nunca acaba, você também nunca poderia acabar e as coisas a sua volta apenas sofriam alterações momentâneas. Nada era estável, mas você deveria lutar para ser a estabilidade que atravessa qualquer barreira. Descobriu que a vida é instável para nos ensinar justamente a buscar a estabilidade em nós mesmos. Somente as verdades não mudam, e todas as coisas a sua volta dependiam do seu ponto de vista. E, se você quisesse mudar algo, deveria começar as mudanças por você mesmo.
- Entendeu? – disse Flávio, com mais suavidade em sua voz.
Betinha não disse nada. Apenas abriu os olhos, enxugou as lágrimas e abraçou fortemente o irmão.
- Não precisa me dizer mais nada! Entendi tudo! – disse Betinha emocionada – Você é meu vento e eu vou procurar além das montanhas. Minha vida está onde meu coração está, e isso não depende de tempo ou espaço, somente da paz que devo buscar comigo mesma.
Betinha olhou mais uma vez para o irmão, levantou rápido, saiu apressada do quarto e foi para a rua observar melhor o pôr-do-sol que já estava quase no fim. Ela olhou os últimos resquícios dos raios de sol como se fossem os primeiros que observara na vida inteira. Eram mais coloridos, assim como sua vida deveria ser a partir de agora. Somente ela poderia mudar a sua vida, para melhor ou para pior. Ela era a escritora, a diretora e a atriz principal no palco da vida. Então pensou: vou começar a escrever minha história agora mesmo! E partiu para a vida, sem medo e com uma vontade enorme de viver!
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Anderson Boni Signori

03 Novembro 2006

A luz das estrelas

- Mesmo numa noite escura, infinitamente escura, existem as estrelas que poderão consolar a quem erguer a cabeça e olhar para o céu. E quando você olhar para o céu, todos os astros presentes na abóbada celeste olharão para ti também, e com sua luz piscante falarão com quem tiver condições para ouvir.
Aquelas palavras do meu pai nunca me saíram da cabeça. Foram proferidas numa noite de inverno, quando triste e sem ter o que fazer, fui para rua olhar o céu. A noite realmente estava escura, mas as estrelas estavam lá, fazendo-me companhia. Lembro-me de que ele saiu da casa e, vendo que eu estava parado no quintal com meu costumeiro olhar triste, próximo do jardim tão belo que ornamentava o pátio, se aproximou e se ajoelhou perto de onde eu estava. Depois de alguns instantes de silencio, sussurrou esta belíssima frase. Naquele momento não entendi nada. Mesmo assim ele continuou:
-
Enquanto você as contempla, elas te contemplarão. E nesta troca de energia, um milagre acontece. Você percebe uma coisa. Algo que nunca poderia ter imaginado e do qual jamais poderá esquecer deste momento em diante. Descobre que a comunhão com o Cosmo não é uma simples observação por parte do observador, e muito menos por parte do observado. As estrelas, quando admiradas, poderão refletir e te mostrar as profundezas da tua alma. Uma parte de ti pertence a elas, assim como uma parte delas pertence a ti. Então, nesse instante, é preciso falar algo. É preciso expressar algumas palavras diante de tão mágico e sublime momento. Talvez estas palavras não saiam da sua boca, mas do seu coração. Tudo que é eterno e mágico deve sair de lá.
Quando eu estava prestes a perguntar-lhe o que significava tudo isto, ele continuou dizendo:
-
Contemplar o infinito exige muita coragem, pois contemplar o infinito do Universo é o mesmo que contemplar as profundezas do teu espírito. Lá não existem muros. Somente existe um campo vasto e fulgurante, onde o céu toca o chão. Onde tua vista pode ver muito longe. Onde a compreensão de tudo é atingida.
Depois disso, sem que eu pudesse falar nada, levantou-se, me deu um beijo e voltou para dentro de casa. Fiquei pensando o que poderia significar tudo aquilo.
Meu pai sempre me falava tudo que eu precisava ouvir, mas nunca diretamente. Sempre usava frases bonitas e algumas vezes até complicadas. E isto sempre me fazia refletir.
Tudo isso me ajudou a crescer. Aprendi a pensar e a aprender com tudo o que me cerca. Não fazia idéia do que estava reservado pra mim, e muito menos que as lições de meu pai me ajudariam tanto na caminhada em que deveria empenhar-me.
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Anderson Boni Signori